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Não me faça nenhum favor, não espere nada de mim. Não me fale seja o que for, sinto muito que seja assim. Como se fizesse diferença o que você acha ruim. Como se eu tivesse prometido alguma coisa pra você. Eu nunca disse que faria o que é direito. Não se conserta o que já nasce com defeito, não tem jeito, não há nada a se fazer. Mesmo que eu pudesse controlar a minha raiva , mesmo que eu pudesse conviver com a minha dor, nada sairia do lugar que já estava, não seria nada diferente do que sou. Não quero que me veja, não quero que me chame, não quero que me diga, não quero que reclame. Eu espero que você entenda bem, eu não gosto de ninguém (...)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A gatinha e o cabeludo.

" I get no kick from champagne
Mere alcohol doesn't thrill me at all.

Malcolm deixou o copo de lado e começou a cantar com ela.

So tell me why should it be true,
That I get a kick out of you?

Lois ficou boba de ouvi-lo cantar. Ela jamais tinha ouvido o namorado cantar antes. Aquilo a fez rir.
- Não pensei que você gostasse desse tipo de música. - disse ela.
- As velhas são sempre as melhores. - Ele se inclinou para diante, ávido. - Ei, taí, é isso que devíamos fazer essa noite.
- O quê? Cheirar uma branquinha? - indagou Lois, porque o próximo verso da música tinha começado.
- Não, sua boba. Tomar champagne. Vamos gastar uma grana a mais e pagar uma garrafa.
- Você pode?
- Claro. É uma ocasião especial. - E aí, tomando a iniciativa tão esperada, acrescentou: - Mais especial do que pensa.
O coração de Lois deu um pulo.
- Como assim?
Malcolm apalpou a caixinha no bolso do paletó. Não pretendia dar o anel a ela tão cedo, mas não adiantava: ele não podia se conter mais tempo.
- Olha, amor, sabe o que penso de você, não?
Lois não respondeu. Só retribui o olhar dele, seus olhos começando a se encher de lágrimas.
- Eu te amo - disse Malcolm. - Sou louco por você. - Deu um suspiro comprido, imenso. - Tenho uma coisa para te dizer. Preciso te fazer uma pergunta. - Ele apanhou a mão dela com força, como se ele jamais fosse soltá-la. - Sabe o que é?
É claro que ela sabia. E, claro, Malcolm sabia qual ia ser a resposta dela. Entenderam-se perfeitamente naquele momento. Estavam tão perto um do outro e tão perto da felicidade quanto é possível duas pessoas estarem. Por isso Malcolm nem fez a pergunta.
Então, exatamente às 20:20, o temporizador disparou o gatilho, a bateria envou energia para os cabos e quinze quilos de dinamite explodiram do outro lado do barzinho.
E foi assim que tudo acabou, para a gatinha e o cabeludo."

Trecho extraído do livro The Rotter's Club, de Johnathan Coe.

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